Ela é carente

Comecei a fazer um curso online, aproveitando que a empresa está disponibilizando uma plataforma para isso, tenho me interessado cada vez mais sobre assuntos relacionados a liderança e pessoas. Dentre as muitas opções achei um que aliava desenvolvimento profissional e pessoal. E era sobre uma assunto que havia sido me apresentado neste ano, o curso é de Comunicação Não-Violenta.

Entre uma atividade e outra do trabalho aproveito para ouvir uma video-aula. Em alguns momentos preciso dar uma paradinha para ler alugm artigo ou responder algum questionário. Mas o curso está fluindo.

Então em um dos textos que parei para ler deparei-me com o seguinte:

"Assim, nos afastamos do outro e de suas necessidades, nos afastamos de nós mesmos e dos nossos sentimentos e reduzimos a nossa compreensão acerca do todo, do ambiente que nos faz.

Culpa; Insulto; Depreciação; Comparação; Rotulação; Crítica; Diagnósticos.

Se minha esposa deseja mais afeto do que estou lhe dando, ela é “carente e dependente”. Mas se quero mais atenção do que me dá, então ela é “indiferente e insensível”. Todas as análises de outros seres humanos são expressões trágicas de nossos próprios valores e necessidades. Trágicas. Pois se expressar de tal forma só produz sofrimento. Coloca o outro em posição defensiva e cria nele grande resistência em nos atender.

E se, por acaso, ele aceita agir dentro dos nossos valores, será, provavelmente, por medo, culpa ou vergonha.

E, no fim, pagamos um preço caro. A pessoa que reage a nós por medo, culpa ou vergonha, vai, aos poucos, perdendo sua boa-vontade para conosco, sentindo ressentimento e menos autoestima."

- Livro: Comunicação Não-Violenta, Capítulo 2: A Comunicação que Bloqueia a Compaixão; Rosemberg, Marshall -  

E a frase "Se minha esposa deseja mais afeto do que estou lhe dando, ela é “carente e dependente”" ficou ecoando em minha mente... Devo ter ficado uns 2 minutos olhando para ela...

E foi como se tivesse sido arrebatada, que nem naquele filme Em Algum Lugar do Passado quando o personagem pega a moeda... Mas no meu caso eu voltei para o passado. E ainda posso ouvir a voz falando repetidamente "você é carente e dependente".

Eu ouvi isso durante tanto tempo, e de forma tão enfática, que até hoje carrego esse rótulo. Talvez eu tenha virado esse rótulo para então encaixar no mundo daquela pessoa. Se eu pedia um abraço era porque era carente. Se fazia um cafuné, carente! Querer conversar sobre o dia, carente! Pedir para consertar o varal, carente e dependente....

Passei tanto a tomar isso pra mim, que até as minhas amigas passaram a me chamar desse jeito... 😞

Nunca em nenhum momento daquele relacionamento ele parara para ter uma visão empática. Sempre esteve certo de que eu era a carente.

"A pessoa que reage a nós por medo, culpa ou vergonha, vai, aos poucos, perdendo sua boa-vontade para conosco, sentindo ressentimento e menos autoestima"

Ainda hoje trabalho para me desvencilhar disso. Sim, gosto de dar e receber carinho, beijinhos, abraços, isso não faz de mim carente, me faz humana! Uma pessoa que valoriza as relações.

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