♫ "Que a mudança grande chegou"...♪

Hoje faz um ano que a casa velha se tornou a casa velha e a casa nova se tornou a casa nova.

Mas a história começa um pouco antes, no dia 02 de julho, segunda-feira. Naquele dia lembro-me de ter chegado no trabalho e comentado com uma colega porquê eu não tinha pensando antes em viajar junto com maridão (ele viajaria no final do mês a trabalho), eu já ia tirar uns dias de férias para ficar com as kids mesmo, então aproveitaria para passear num local diferente... A resposta do porque veio à noite...

Ao chegar em casa o porteiro me entregou uma carta com "A.R." em nome da proprietária do apartamento.. oh-uh... Isso não parecia bom... O maridão autorizou a abertura e tava lá escrito: tínhamos 30 dias a partir do recebimento da carta para deixar o imóvel. Assim!

Tá, há um tempo eu até quis mudar, afinal as crianças estavam crescendo e em alguma hora eles iriam querer se separar, mas já tinha me conformado que isso não aconteceria nem tão cedo e tinha esquecido do assunto. Agora a mudança vinha assim, enfiada goela abaixo...

Num primeiro momento fiquei até feliz, não era do jeito que eu imaginava, mas me empolguei. "Talvez consiga o apartamento do jeitinho que eu sempre sonhei" - Pensei. Nem imaginava a luta que estaria por vir...

Fui logo procurando no ZAP por imóveis, mandei e-mail para os amigos, preparei a planilha de imóveis, enfim, comecei a me coçar.

Eu viajaria para Macaé na semana seguinte e ficaria a semana toda por lá, então só teria até o domingo dia 08 para concluir a busca.

Na terça comecei a via crucis de realizar agendamento para ver imóveis, tinha que conciliar o meu horário com o do marido também. À noite fui encontrar com as mães da creche e no caminho já vi uns 2.
Lembro-me de um, jesusmariajosé, eram 2 quartos com varanda, ok, mas tão pequeno, tão pequeno que se entrasse um pouco mais rápido pela porta da sala cairia da varanda. O banheiro social foi o que mais me impressionou de tão minúsculo. O maridão teria que entrar no box de lado e não poderia se virar. :O

Na quarta vimos um na Paissandu perto da praia, 2 quartos (com "suíte"), sem play, sem garagem e caaaaaaro! E a tal "suíte" era uma gambiarra que fizeram com o banheiro de empregada e transformaram em suíte. Mal dava para eu entrar, imagina o marido! Era escuro, parecia um banheiro de masmorra. Vimos mais alguns nesse dia. Um inclusive ma-ra-vi-lho-so! Mas igualmente caro!!

Aliás, os preços estavam enloquecedores, o pessoal pirou de vez! Teve uma mulher de uma imobiliária de me ofereceu um 2 quartos por 4 mil!!!!
"Tá um cadinho caro, né?!" - disse. "É que este tem garagem" - respondeu-me. Ah tá!

Vi um na praia do Flamengo, "triplex" num preço razoável. Deve ter algo de estranho, mas vamos ver qual é.
Realmente era um tripléx, pequenino, em cada andar ficava um cômodo da casa e entrava-se pelo 2o andar. No 1o a sala com a cozinha americana que só cabia um microondas e um frigobar, no 3o, os 2 quartos minúsculos, sem área. Onde eu ia colocar a minha máquina de lavar? Onde ia secar as roupas? Eu lavo uma máquina por dia, num rolava. O apartamento era ótimo para solteiro ou um casal sem filhos. Eu sou espaçosa, cresci no interior em casa, meu quintal era a cidade. Viver num apertamento num dava...

Vi um em Botafogo também ótimo! Mas precisava de reforma. "E se fizermos será descontado do aluguel?". "Aí tem que conversar com a proprietária." Não havia tempo para isso. O prazo estava se esgotando e não encontrávamos nada dentro das expectativas e do bolso.

Sexta-feira, eu tinha pedido o dia para o chefe pois a D. Maria não teria aula, na época tinha pensado em ir a praia, fazer um programa cultural, agora teria que caçar um local para morar. E ainda fez um lindo dia de sol.

Bem, lá fui eu com a Maricota a tira-colo visitar apartamentos, vimos vários. Teve um, ai-ai, a mulher tinha enchido a boca para falar dele e quando chegamos estava todo quebrado. A cozinha, ai a cozinha, meu sonho era ter um local espaçoso para cozinhar e esta definitivamente não era.
"A geladeira não cabe aqui..."
"A senhora pode colocá-la aqui, ó! No quarto de empregada"
"Hum... E a máquina de lavar? E a roupa onde penduro?"
"Coloca neste cantinho do quarto..."
"Hum.... Acho que não"
Isso fora o sol da tarde assando o apartamento e o cheiro de churrasco defumando todo o ambiente.

E fomos nós para o último no Catete. Fiquei esperando uns 20 minutos e nada do rapaz aparecer. Liguei.
"Olha eu tô aqui esperando"
"Senhora, ligamos para confirmar e a senhora não atendeu, a visita foi cancelada"
"Como assim?! Eu espero! Pode mandar o rapaz para cá"
"Senhora, a senhora não atendeu o telefone, não podemos mandar mais ninguém para aí"
"Ahh meu querido não faz isso comigo não... Eu espero aqui, manda o rapaz para cá" - implorei aos prantos. Mas não o comoveu.

Sábado, dia da festa julina na escola da Maricota. De manhã não dava para ver nada, somente a tarde e vimos um que, humm, tá entrou na lista de possibilidades...

E o tempo passando e nada ainda. Alguns marcados como possíveis, mas estavam caros demais... Desânimo tomando conta em 3, 2, 1...

Domingo, chegou! Último dia da busca. Como contei no post "Entrego a Ti..."

Como já dizia o salmista "Entrega o teu caminho ao Senhor; confia Nele, e Ele o fará." Salmos 37:5. E Ele fez! Na quarta-feira daquela semana recebemos as chaves.

Agora era hora de empacotar tudo. Bem, eu já tinha começado de certa forma quando recebi a notícia do "despejo". Eu sempre de tempos em tempos dou uma limpa nas coisas das crianças e nas minhas. Jogo fora o que não presta mais, doou o que não mais interessa... Agora eu teria que fazer em menos de 3 semanas o que faria em 6 meses. Claro que não deu! No meio do caminho o que tinha dúvida ou não pude avaliar foi empacotado.

Então ao longo dos dias a casa velha foi se tornando a casa velha....

Todos os dias, depois do trabalho eu empacotava uma parte, levava para a casa nova o que eu não queria correr o risco de perder, leia-se as minhas fotos (já tinha sido traumático da 1a vez). Eram 8 anos de coisas para encaixotar, a nossa primeira grande mudança, bem, já pra mim... Como dizia a música "Já morei em tanta casa que nem me lembro mais..."
As kids ajudando
Quando resolvemos juntar os nossos trapinhos foi simples, o que tínhamos para empacotar era pouco, bem, ele, né?! Eu sempre fui meio acumuladora, mas deixei parte na casa da mamãe. E as coisas foram chegando, fogão, lava roupas, microondas, geladeira, mesa... Agora era diferente.

Já para as crianças era festa, elas aproveitavam o apartamento (novo) vazio para brincarem.

As kids ajudando
Na véspera do dia D, o moço da mudança foi lá para empacotar as coisas grandes, havia algumas que eu ainda estava cuidando, mas eu dava mole já ia para uma caixa. Só queria ver depois para descobrir onde cada coisa estava. Para minha surpresa o moço era analfabeto! Então, ele concluía uma caixa e eu escrevia o que estava dentro.

O dia D chegou, eu realmente achei que até umas 16h tudo estaria concluído, bah! Ficamos até quase 19h e no final estávamos mortos. Conforme as caixas iam chegando elas eram postas em um quarto, que acabou se tornando o quarto das caixas.

Passei o domingo tentando encontrar as coisas, qualquer coisa. A casa nova não tinha nenhum armário, então dá para imaginar a bagunça que era... Comprei uma estante de metal para a cozinha para colocar o microondas e os pratos. Depois para o quarto comprei uma arara, pois ainda não tinha me decido por qual armário comprar (e contei a saga para ter o bendito armário em "O que o cliente realmente queria..." e "O que o cliente realmente queria... - episódio finalmente!")

Enfim, na segunda o maridão viajou a trabalho e eu tive uma longa semana de arrumação.

Era um mar de caixas...
Mudança grande espero que nem tão cedo.



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