Vá aos encontros felizes

Sempre rola um evento na vida que me leva a refletir sobre a efemeridade...

Acho que a primeira vez foi quando ainda entrava na adolescência e o namorado de uma amiga sofreu um acidente e acabou falecendo. Ele não tinha mais que 18 anos...

Ainda lembro de como a minha irmã ficou quando 4 amigos dela, também por um acidente, morreram, todos jovens entre 15 e 18 anos. O sentimento que me vinha era "agora você está, agora não está mais". E como isso mexeu muito comigo...

Talvez isso tenho disparado um certo gatilho de urgência...

Ainda lembro quando meu tio ficou doente e decidi não ir visitá-lo (coisa que me arrependo), pois, na minha jovem e imatura cabeça, queria guardar a lembrança dele saudável...

Quando meus filhos estavam na creche, a mãe de um amiguinho, tinha uns 35 anos faleceu por conta de um câncer. Lembro que isso mexeu muito comigo, meus filhos eram pequenos, e pensava "E se eu não estiver aqui quando eles precisarem de mim?!"

Um colega sempre falava que tinha que ir visitar a avó que morava no Sul, sempre adiando a visita, até que foi, para o enterro dela....

A gente sempre acha que as pessoas estarão aqui, que sempre haverá uma outra vez, uma próxima vez...

Quando minha avó faleceu, fez-me refletir sobre isso, sempre fui visitá-la, mas sei lá, parecia que ela sempre estaria aqui. (Conto um pouco aqui)

Em 2019 perdi um amigo, teve um mal súbito, tinha 30 e poucos... E esta semana soube de um colega do trabalho que o Covid levou, tinha 35 anos...

Há muito tempo, criei um compromisso de me empenhar verdadeiramente em ir à qualquer evento que fosse importante para mim. As crianças eram cotocos e sempre as levava comigo (tivemos alguns perrengues, mas aí vira história pra contar =)), mas não era impeditivo para não ir.

"Quem quer arruma um jeito, quem não quer arruma uma desculpa."

E há uns 2 anos encontrei esse texto da Mônica Moro Harger que reflete bem o que sinto.

Pode ser complicado, difícil e caro.
Pode ser uma viagem longa. Vá!
Tem festa de 85 anos da tia? Vá!
Aniversário do filho do amigo? Vá!
Encontro de 20 anos da formatura? Vá!
Amigo secreto, casamento do primo? Vá!
Pegue o carro, o ônibus, o avião... pegue uma carona! E vá!
Fica no hotel, na tia, na pensão! Vá!
Parcela a passagem!
Dê um jeito, mas vá !
Sabe por quê?
Porque nos encontros tristes você irá.
Quando alguém morre todos vão.
Por protocolo, por obrigação ou por amor (e dor).
As pessoas vão, se esforçam pra ir aos enterros...
Pedem folga, 
cancelam a reunião, 
transferem as entregas, 
o cansaço some....
E todos se reúnem e se abraçam e choram juntos.
E é bonito isso. E é bom que seja assim !
Mas é bom que seja assim também nos momentos felizes.!
É bom estarmos junto nas comemorações,
nas conquistas, 
nas festas que brindam a vida!
Dando risada, 
relembrando histórias, 
deixando-nos levar pela alegria despretensiosa dos momentos bons!
Assim, vamos juntando as peças na melhor coleção que a vida tem a oferecer:
a dos encontros felizes!



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