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Esta semana o Real completou 20 anos. Duas décadas que passamos a ter poder de compra.
Eu era criança e morava no interior na década de 80 mas me lembro bem como as coisas eram.
Lembro-me das inúmeras trocas de moedas e cortes de zeros. De um dia para outro 1000 dinheiros da época tornava-se 1 dinheiro novo da época e tinha-se um prazo para realizar a troca das notas velhas (cheias de zero) pelas novas. Nesse meio tempo, as velhas eram carimbadas com os valores novos.
Tem até uma música do Paralamas do Sucesso da época que falava sobre o que se vivia:
Lembro-me das tentativas de contenção da inflação - apesar de não saber direito o que era na época, só que a moedinha que eu usava para comprar 10 balas na semana anterior agora só dava para comprar 5. Do congelamento dos preços, que num primeiro momento parecia bom mas em pouco tempo mostrava-se ineficiente.
Lembro das máquinas etiquetadoras de preço e do montinho de etiquetas presas nos produtos devido as diversas remarcações.
Lembro-me das compras de mês que meus pais faziam e mais ainda, lembro das pessoas mais humildes trazerem suas compras dentro de imensos sacos após irem até a cidade vizinha, que tinha mais opções de mercado.
Lembro de ir na casa dos meus avós (na capital) e ir com meu avô em vários açougues atrás de carne, pois teve uma época que a carne simplesmente sumiu...
Lembro-me dos incontáveis planos: Cruzado, Cruzado II, Bresser, Verão, Collor, Collor II... Todos falharam...

Lembro que o Plano Collor sequestrou as economias de todos que tinham algum dinheiro no banco, da noite para o dia tudo o que você tinha era 50 mil dinheiros, todo o resto o governo "pegou emprestado" e ia devolvendo aos pouquinhos... Muitas empresas quebraram, chefes de família se suicidaram, de repente não tinha mais dinheiro no mercado. Sem dinheiro, sem inflação, acho que deve ter sido esta lógica... Lá em casa, a reforma (que estava em andamento) foi suspensa e só retornou quase uma década depois, quando eu já não mais morava por lá...
Este era o cenário em que vivíamos no início dos anos 90. Não dava para se planejar. Sabe "aquela" viajem que você deseja e está juntando um dinheirinho todo mês para fazer, pois então, na época não rolava...
E então veio o Plano Real. Primeiro foi criado um sistema de transição a URV. Então tudo passou a valer x URV's e havia uma tabela que se fazia a conversão. Lembro do FHC ir várias vezes a televisão explicar como o negócio funcionaria. E no grande dia da virada, tudo passaria a valer x Reais. E aos poucos fomos recuperando o direito de sonhar e planejar a nossa vida.
Saímos de uma inflação de 2.447% em 1993 (é isso mesmo, o número não está errado) para 22,41% em 1995.
Os mais carentes puderam enfim ter carne em suas mesas, o quilo do frango era vendido a 1 Real e foi a grande vedete do início do Plano. Comi muito frango Sadia...

E a reboque, conforme a economia foi se estabilizando, foi possível estruturar e implementar projetos sociais como o Bolsa-Escola.
Se hoje temos a possibilidade de planejar, foi porque alguém lááá trás teve a coragem de colocar a mão na lama e moldar o caminho para o crescimento do país. Cabe a nós não deixarmos que este vaso se quebre...
Para saber mais:
Eu era criança e morava no interior na década de 80 mas me lembro bem como as coisas eram.
Lembro-me das inúmeras trocas de moedas e cortes de zeros. De um dia para outro 1000 dinheiros da época tornava-se 1 dinheiro novo da época e tinha-se um prazo para realizar a troca das notas velhas (cheias de zero) pelas novas. Nesse meio tempo, as velhas eram carimbadas com os valores novos.
Tem até uma música do Paralamas do Sucesso da época que falava sobre o que se vivia:
Lembro-me das tentativas de contenção da inflação - apesar de não saber direito o que era na época, só que a moedinha que eu usava para comprar 10 balas na semana anterior agora só dava para comprar 5. Do congelamento dos preços, que num primeiro momento parecia bom mas em pouco tempo mostrava-se ineficiente.
Lembro das máquinas etiquetadoras de preço e do montinho de etiquetas presas nos produtos devido as diversas remarcações.
Lembro-me das compras de mês que meus pais faziam e mais ainda, lembro das pessoas mais humildes trazerem suas compras dentro de imensos sacos após irem até a cidade vizinha, que tinha mais opções de mercado.
Lembro de ir na casa dos meus avós (na capital) e ir com meu avô em vários açougues atrás de carne, pois teve uma época que a carne simplesmente sumiu...Lembro-me dos incontáveis planos: Cruzado, Cruzado II, Bresser, Verão, Collor, Collor II... Todos falharam...

Lembro que o Plano Collor sequestrou as economias de todos que tinham algum dinheiro no banco, da noite para o dia tudo o que você tinha era 50 mil dinheiros, todo o resto o governo "pegou emprestado" e ia devolvendo aos pouquinhos... Muitas empresas quebraram, chefes de família se suicidaram, de repente não tinha mais dinheiro no mercado. Sem dinheiro, sem inflação, acho que deve ter sido esta lógica... Lá em casa, a reforma (que estava em andamento) foi suspensa e só retornou quase uma década depois, quando eu já não mais morava por lá...Este era o cenário em que vivíamos no início dos anos 90. Não dava para se planejar. Sabe "aquela" viajem que você deseja e está juntando um dinheirinho todo mês para fazer, pois então, na época não rolava...
E então veio o Plano Real. Primeiro foi criado um sistema de transição a URV. Então tudo passou a valer x URV's e havia uma tabela que se fazia a conversão. Lembro do FHC ir várias vezes a televisão explicar como o negócio funcionaria. E no grande dia da virada, tudo passaria a valer x Reais. E aos poucos fomos recuperando o direito de sonhar e planejar a nossa vida.
Saímos de uma inflação de 2.447% em 1993 (é isso mesmo, o número não está errado) para 22,41% em 1995.Os mais carentes puderam enfim ter carne em suas mesas, o quilo do frango era vendido a 1 Real e foi a grande vedete do início do Plano. Comi muito frango Sadia...

E a reboque, conforme a economia foi se estabilizando, foi possível estruturar e implementar projetos sociais como o Bolsa-Escola.
Se hoje temos a possibilidade de planejar, foi porque alguém lááá trás teve a coragem de colocar a mão na lama e moldar o caminho para o crescimento do país. Cabe a nós não deixarmos que este vaso se quebre...
Para saber mais:
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